Entrar Não é Suficiente
Experiência Acadêmica de Mulheres Cotistas na Universidade
DOI:
https://doi.org/10.58725/rivjr.v2i2.212Palavras-chave:
universidade, mulheres, cotas, permanência, desafiosResumo
O presente artigo tem por objetivo problematizar como privilégios de gênero, raça e classe afetam a trajetória universitária. A análise busca diferenciar a experiência de mulheres admitidas pela política de cotas, baseando-se no princípio de interseccionalidade, e entendendo como múltiplas opressões se impõem sobre sua experiência. A metodologia se valeu de pesquisas em bibliografia e estatísticas para entender como estruturas históricas opressivas influenciam o presente e identificar os impactos disso no cenário atual.
A primeira parte introduz o conceito de interseccionalidade; a segunda considera isso em uma análise histórica do acesso da mulher ao Ensino Superior; e a terceira identifica os desafios que persistem mesmo após o ingresso nas instituições. A pesquisa constatou que a simples neutralidade institucional, ou a mera legalização da educação superior feminina, não é suficiente para garantir a democratização do ensino, reafirmando a necessidade de políticas de acesso combinadas às de permanência para que esse direito se consolide.
Referências
BERGAMASCHI, M. A.; DOEBBER, M. B.; BRITO, P. O. Estudantes
indígenas em universidades brasileiras: um estudo das políticas de
acesso e permanência. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 99,
n. 251, p. 37–53, jan. 2018.
BIROLI, Flávia; MIGUEL, Luis Felipe. Gênero, raça, classe: opressões
cruzadas e convergências na reprodução das desigualdades. Mediações
- Revista de Ciências Sociais, Londrina, v. 20, n. 2, p. 27-55, jul./dez. 2015.
DOI: https://doi.org/10.5433/2176-6665.2015v20n2p27.
Revista de Vitimologia e Justiça Restaurativa - Ano 4 - Vol. 2 - São Paulo – Set. 2026
Licença Creative Commons: CC Attribution 4.0
BRASIL. Coleção de Leis do Império do Brasil: 1854. Rio de Janeiro: [s.
n.], 1854. v. 1, pt. 1, p. 45.
BRASIL. Decreto n. 7.247, de 19 de abril de 1879. Reforma do Ensino
Primário e Secundário do Município da Corte e o Superior em todo o
Império. Rio de Janeiro: Dom Pedro, 1879. Disponível em:
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-7247-19-
abril-1879-547933-publicacaooriginal-62862-pe.html. Acesso em: 7 ago.
BRASIL. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso
nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de
nível médio e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília,
DF, 30 ago. 2012. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 7 ago. 2026.
BRUM, Gabriel. Mais de 36% de estudantes cotistas já sofreram
discriminação na UFRGS. Agência Brasil, 2021. Disponível em:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencianacional/educacao/audio/2021-11/mais-de-36-de-estudantes-cotistas-jasofreram-discriminacao-na-ufrgs. Acesso em: 07 ago. 2026.
Coleção de Leis do Império do Brasil - 1854, Página 45 Vol. 1 pt I
(Publicação Original)
COLLING, Ana Maria. As primeiras médicas brasileiras - Mulheres à
frente de seu tempo. FRONTEIRAS: Revista de História, v. 13, n. 24, p.
-183.
CONSELHO DE REITORES DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
(CRUB). Cotas reduziram distância entre negras e brancas na
universidade. CRUB, 19 ago. 2022. Disponível em:
https://www.crub.org.br/cotas-reduziram-distancia-entre-negras-ebrancas-na-universidade/. Acesso em: 7 ago. 2026.
Revista de Vitimologia e Justiça Restaurativa - Ano 4 - Vol. 2 - São Paulo – Set. 2026
Licença Creative Commons: CC Attribution 4.0
CRENSHAW, Kimberlé. Desmarginalizando a Interseção entre Raça e
Sexo: Uma Crítica Feminista Negra à Doutrina Antidiscriminatória, à
Teoria Feminista e à Política Antirracista. University of Chicago Legal
Forum, v. 1989, art. 8.
DA SILVA, Ronei Teodoro. O Dilema da Cota: Uma reflexão sobre as
políticas de igualdade racial na universidade brasileira. São Leopoldo:
Unisinos, 2008.
DA SILVA, Vitória Régia; BRUNO, Maria Martha. Ingresso de mulheres
indígenas nas universidades cresce 620% desde 2009. Gênero e Número,
Disponível em:
https://www.generonumero.media/reportagens/ingresso-de-mulheresindigenas-nas-universidades-cresce-620-desde-2009/. Acesso em: 07 ago.
DE SOUZA, Rebeca Santos. Mulheres negras, acesso e permanência no
ensino superior público: desafios e construções para o Serviço Social. Rio
de Janeiro: UFRJ, 2021.
DIAS, Luciana de Oliveira; CASTRO, Ana Luísa Machado de. Mulheres
negras nas universidades e saberes decoloniais: por uma teorização de
um pensamento feminista negro. Monções: Revista de Relações
Internacionais da UFGD, Dourados, v. 9, n. 17, p. 535-561, jan./jun. 2020.
DOS SANTOS, Jucimar Cerqueira e JESUS DOS SANTOS, Mayara
Priscilla. Da Educação Primária ao ensino superior: O desafio das
mulheres de cor e trabalhadora para alcançar a educação escolar no
brasil entre o final do século XIX e início do século XX. Revista Canoa
do Tempo, vol. 11, no. 2, p. 51–76, 2020.
EQUIPE AZMINA. 67% das universitárias já sofreram violência nas
faculdades. AzMina, 26 fev. 2016. Atualizado em 12 jun. 2018. Disponível
em: https://azmina.com.br/reportagens/67-das-universitarias-brasileirasja-sofreram-violencia-nas-faculdades/. Acesso em: 7 ago. 2026.
Revista de Vitimologia e Justiça Restaurativa - Ano 4 - Vol. 2 - São Paulo – Set. 2026
Licença Creative Commons: CC Attribution 4.0
FRASER, Nancy. A justiça social na globalização: Redistribuição,
reconhecimento e participação. Revista Crítica de Ciências Sociais. Nova
Iorque: New School of Social Research, 2002.
HIRATA, Helena. Gênero, classe e raça: interseccionalidade e
consubstancialidade das relações sociais. Novos Estudos CEBRAP, São
Paulo, n. 86, p. 93-103, mar. 2010.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Trabalho
doméstico e de cuidados não remunerado: apresentação. Brasília, DF:
Ipea, [s. d.]. Disponível em:
https://www.ipea.gov.br/portal/retrato/indicadores/trabalho-domesticoe-de-cuidados-nao-remunerado/apresentacao. Acesso em: 7 ago. 2026.
MATOS, M. I.; BORELLI, A. Espaço feminino no mercado produtivo. In:
PINSKY, C. B.; PEDRO, J. M. (org.). Nova história das mulheres no Brasil.
São Paulo: Contexto, 2016.
Mulheres negras avançam nas universidades em 10 anos, mas seguem
mais expostas à violência doméstica: Novo estudo analisa o que mudou
e o que permaneceu igual na vida das mulheres negras brasileiras entre
e 2025. Alma Preta, 2026. Disponível em:
https://almapreta.com.br/sessao/cotidiano/mulheres-negrasuniversidades-violencia-domestica-estudo/. Acesso em: 07 ago. 2026.
Neves, M. C. C., & Dalgalarrondo, P. (2007). Transtornos mentais
autorreferidos em estudantes universitários. Jornal Brasileiro de
Psiquiatria, 56(4), 237-244. https://doi.org/10.1590/S0047-
» https://doi.org/10.1590/S0047-2085200700040000
PAIVA, Bibiana de; SOUZA, Larissa Faria de. Interseccionalidade e
movimento feminista: uma análise entre os conceitos de gênero, raça e
Revista de Vitimologia e Justiça Restaurativa - Ano 4 - Vol. 2 - São Paulo – Set. 2026
Licença Creative Commons: CC Attribution 4.0
classe. Revista Ilustração, [S. l.], v. 2, n. 1, 2021. DOI:
https://doi.org/10.46550/ilustracao.v2i1.47.
PICANÇO, Felícia et al. Os cotistas evadem mais da universidade?
Alguns indicadores da UFRJ. Nexo Jornal, 2022. Disponível em:
https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2022/05/04/os-cotistas-evademmais-da-universidade-alguns-indicadores-da-ufrj/. Acesso em: 07 ago.
PINSKY, C. B. Imagens e representações 1: a era dos modelos rígidos. In:
PINSKY, C. B.; PEDRO, J. M. (org.). Nova história das mulheres no Brasil.
São Paulo: Contexto, 2016a.
PIOVESAN, F.. Ações afirmativas no Brasil: desafios e perspectivas.
Revista Estudos Feministas, v. 16, n. 3, p. 887–896, set. 2008.
PORTELA, Poema Eurístenes; JÚNIOR, João Feres; DE FREITAS,
Jefferson Belarmino. RAÇA, GÊNERO E SAÚDE MENTAL NAS
UNIVERSIDADES FEDERAIS. Rio de Janeiro: Grupo de Estudos
Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), 2020.
PORTES, Écio Antônio. Algumas dimensões culturais da trajetória de
estudantes pobres no ensino superior público: o caso da UFMG. Revista
Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 87, n. 216, p. 220-235, maio/ago.
RIBEIRO, A. F. M.; VIEIRA, A. M. D. P. O ingresso de mulheres nas
universidades no Brasil (1940-1980). Revista IberoAmericana de Estudos
em Educação, Araraquara, V. 18, n. 00, e023100, 2023. e-ISSN: 1982-5587.
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.18047
RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento,
112 p. (Feminismos Plurais).
Sem políticas de permanência, número de cotistas nas universidades
tem maior queda em 10 anos. A Nova Democracia, 2023. Disponível em:
https://anovademocracia.com.br/sem-politicas-de-permanencia-numero-
Revista de Vitimologia e Justiça Restaurativa - Ano 4 - Vol. 2 - São Paulo – Set. 2026
Licença Creative Commons: CC Attribution 4.0
de-cotistas-nas-universidades-tem-maior-queda-em-10-anos/. Acesso
em: 07 ago. 2026.
SOUSA, C. P. Gênero e Universidade no Brasil: acesso ao ensino
superior e condição feminina no meio universitário. In: Consuelo Flecha
García; Alicia Itatí Palermo. (Org.). Mujeres y Universidad en España y
America Latina. Buenos Aires / Madrid: Miño y Dávila Editores, 2008, v.
, p. 153-171.
SUCUPIRA, N. O Ato Adicional de 1834 e a descentralização da
educação. In: FÁVERO, O. (org.). A educação nas constituintes
brasileiras 1823-1988. São Paulo: Autores Associados, 1996.
The Forms of Capital by Pierre Bourdieu. Medium,2023. Disponível em:
https://resonanz.substack.com/p/the-dynamics-of-economic-social-and.
Acesso em: 07 ago. 2026.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 REVISTA INTERNACIONAL DE VITIMOLOGIA E JUSTIÇA RESTAURATIVA

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores que publicam na REVISTA INTERNACIONAL DE VITIMOLOGIA E JUSTIÇA RESTAURATIVA preservando seus direitos autorais, concedem à Revista o direito de publicação, sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, a qual permite que outros distribuam, criem e façam adaptações a partir de seu trabalho, bem como o compartilhem, inclusive em produções com fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pelo artigo e conteúdo apresentado, reconhecendo sua autoria. Complementarmente, os artigos, a partir de seus autores, expressam o seu ponto de vista e não, necessariamente, a posição oficial da Revista Internacional de Vitimologia e Justiça Restaurativa.

